Estivemos recentemente num pesqueiro aqui próximo de Porto Alegre, em Glorinha, e o nosso alvo principal eram as esportivas traíras, que sempre se mostram vorazes quando visitamos aquela fazenda. O dia estava agradável, céu nublado,temperatura na faixa dos 25° a 27º graus centígrados, e água apresentando uma pequena agitação. À primeira vista, as condições do tempo nos pareciam propícias para a pesca das pré-históricas.
Lançamos nossas iscas na água na expectativa de fisgar os primeiros troféus do dia. Começamos com as de superfície, em especial aquelas que protagonizam o trabalho de zara. Nada de peixe... Tentamos então as barulhentas "poppers", afinal, nunca se sabe o que se passa na cabeça de uma dentuça. Mais alguns arremessos, mas nem “cheiro” de ação.
De repente, o professor Leonel lança na água um artefato já consagrado naquele pesqueiro: o spinner bait da Booyah de cor verde limão claro.
A história da nossa pescaria começa a mudar drasticamente...
- Eurivan... a isquinha aquela tá fazendo sucesso de novo – gritou o professor lá na ponta do açude.
Não pensei duas vezes. Enfiei a mão na caixa e peguei a “poderosa” do momento... O mesmo fez o meu amigo Gediel, que naquele dia estava estreando no pesqueiro em que nos encontrávamos.
Foi só alegria...
Quando arremessado entre a vegetação e os seus corredores, o spinner bait provocava grandes pancadas na superfície da água. E mesmo não pegando grandes exemplares, a isca do dia estava nos propiciando belíssimas brigas com as dentuças.
Só que a grande surpresa na nossa pescaria ainda estaria por vir, e não eram as nossas amigas pré-históricas.
O que realmente nos emocionou foi a presença ativa dos tambicus – também conhecidos por branquinhas. Por algum motivo, e que não sabemos explicar, estas espécimes estavam naquele dia simplesmente “elétricas”, disputando palmo a palmo com as traíras as nuvens de mosquitos que se aglomeravam junto à vegetação. Era cada salto bonito...
E o mais interessante é que as brancas também estavam fissuradas nos nossos spinner baits verdinhos - tinha que ser dessa cor, senão, nada feito.
Afinal, o que teria de tão especial esta isca para atrair tanto traíras quanto tambicus. "Seria a vibração desta na água, somada a sua cor?" - fiquei refletindo enquanto pescava. Curioso, decidi fazer alguns testes. Inicialmente usei um spinner bait de outra marca, mas da mesma cor para ver se obtinha o mesmo resultado. Nada feito, nenhuma ação. Usei então da mesma marca e peso, porém de tonalidades diferentes - branca, amarela, vermelha e roxo. Sem sucesso. Chego então a seguinte conclusão: é a COR.
Experiências à parte, o fato é que foi um dia de pesca fantástico, com muitas ações e fisgadas espetaculares. Nada como sentir a tensão do bicho na linha...
As branquinhas, aliás, estavam fissuradas no professor Leonel, que acabou fisgando os exemplares maiores e mais bonitos.
E para encerrar o dia, fomos brindados com um belíssimo pôr-do-sol. Valeu!